
Também somos desordenados no nosso relacionamento com as coisas, nós somos de apegos, de sentimentos de posse que nos desequilibram. Nossos maiores problemas começam em nossa primeira comunidade, que é a nossa família. Nós vamos trazendo marcas em nossa vida, desde pequenininho, desde criança. Vamos trazendo marcas dentro de nós e os anos vão se acumulando, ressentimento após ressentimento e vai se criando um cascão ao redor de nosso coração. E tudo isso acontece por que nós somos muito duros para dar perdão, nós já não sabemos nos humilhar a exemplo de Jesus (cf. Fl12,6-8), e de Maria (cf.Lc 1,48) que em suas vidas souberam se humilhar.
O mundo colocou em nós uma idéia errada sobre o que é humilhação. Ligamos humilhação a sofrer e por causa disso nós não nos humilhamos na frente das pessoas, não damos e nem pedimos perdão. Jesus continua a nos falar: “Quando estiveres diante do altar, pronto para entregar a tua oferta e se lembrar que teu irmão tem alguma coisa contra ti, vai tu a ele e reconcilia-te com ele e depois então volta e faz a tua oferta” . (Mt 5,23-24).
O engraçado de tudo isso é que o Senhor diz: “Se teu irmão tem algo contra ti”, não é, “Quando você tem algo contra ele”. Muitos então indagamos mas Senhor não fui eu quem errou, foi ele! Mas o Senhor é incisivo: “Vai tu! És tu, que és o cristão, vai tu”. Esse é o caminho do Senhor, que nunca cometeu nenhum erro, mas que veio a terra para se reconciliar com os homens que no Paraíso lhe disseram não, e não quiseram mais a sua amizade e o seu amor.
Jesus nunca teve nenhuma culpa e assumiu a culpa de todos. É o caminho de Deus passarmos pela humilhação para atingirmos o perdão, pois assim foi com Maria, e foi com Jesus, o próprio Filho de Deus feito homem. Só na humilhação morrerá tanto orgulho, tanta vaidade, tanta podridão que existe dentro de nós.
Em Mateus encontramos: “Tudo que sai da boca do homem provém do coração deste homem”(Mt 15,1-20). Observemos que da nossa boca sai muito mais palavras de destruição, do que palavra de edificação. Porque? Por que o nosso coração é cheio de ressentimentos. São Paulo nos diz: “Eu faço o mal que não quero, ao invés do bem que quero fazer”(Rm 7,19). Muitas vezes nós nos surpreendemos dizendo palavras grosseiras para os outros e depois ficamos arrependidos dizendo: “Meu Deus como é que eu fiz isso?” Mas tudo isso acontece porque o coração está cheio de ressentimentos, cheio de mágoas, cheio de revoltas e a boca fala aquilo que o coração está cheio. Precisamos ser pessoas equilibradas, sadias. E para sermos assim, precisamos treinar e não podemos deixar isso para amanhã, tem que ser hoje.
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