No Novo Testamento
encontramos três verbos que vão exprimir a vinda do Espírito Santo em nós:
Se o poder do Espírito provoca em nós risos, choro ou reações descompostas de outro tipo no corpo, não é o Espírito, que provoca diretamente estas manifestações; é a “carne” que, às vezes, não está preparada para o impacto e reage como faria a água fria em contacto com um ferro em brasa.
Que o Espírito Santo possa derramar muitas bençãos em sua vida.
Marcos Ágape
a) Ser
batizados no Espírito Santo
b) Ser
revestidos do Espírito Santo
c) Ser
ou estar cheios do Espírito Santo
Mas, o estar cheios é o mais utilizado
frequentemente. A Palavra vai dizer que: “Jesus cheio do Espírito Santo, se
afastou do Rio Jordão (Lc 4,1); que estavam cheios do Espírito Santo João Batista,
Isabel e Estêvão”. Mas, é em Pentecostes que se diz: “Ficaram todos cheios do
Espírito Santo” (At 2,4).
A palavra “graça” indica aqui, a própria pessoa do
Espírito Santo. Aquela graça que pedimos ao Espírito Santo é que nos encha dele
mesmo, não de um dom seu qualquer. Dizia Santo Ambrósio: se derrame e encha dele mesmo o coração. A graça é, com efeito, o
ponto de encontro entre a obra de Cristo e a do Espírito: o primeiro é o autor (Jesus) da graça; o segundo, por assim dizer, o conteúdo(Espírito Santo).
Quando pedimos ao Senhor
que se derrame as suas graças em nós, nada mais é que: se realize para nós uma nova efusão do Espírito, um novo Pentecostes.
O
Espírito Santo e o regresso das criaturas a Deus
Com o pecado, o homem
transformou a “saída” das criaturas de Deus, isto é, a criação, em um
“afastamento” de Deus. Eis por que o movimento de “regresso” das criaturas a
Deus não se pode realizar, doravante, a não ser sob a forma de “conversão” a
Deus.
Como o homem transformou a
saída de Deus em um voltar as costas para Deus, agora deve transformar o
simples regresso a Deus em uma conversão para Deus. E é neste processo de
conversão que o Espírito vai agora aparecer em ação.
São Basílio: No que se refere ao plano de salvação para o
homem por obra do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (cf. Tt 2,13),
estabelecido segundo a bondade de Deus, quem poderia contestar que Ele se
realiza por meio da graça do Espírito Santo?
O Espírito Santo esta
operando primeiro na criação e, depois, na redenção; sincronicamente, isto é,
do ponto de vista do espaço, Ele
opera tanto no âmbito do mundo como no da Igreja.
Com a primeira criação,
somos criaturas de Deus; com a
segunda criação, somos também filhos
de Deus. A nova criação, é simplesmente o novo nascimento “do alto”, ou “do
Espírito”, de que fala Jesus a Nicodemos (cf. Jo 3,3.5). Santo Agostinho diz: com a primeira criação somos “humanos”, com
a segunda, “cristãos”.
O Espírito Santo está
operando tanto na ordem da natureza como na ordem da graça. Diz Boaventura: Ambas as obras são irrigadas pelo poder do
Espírito Santo: as obras da criação são por Ele conservadas; as obras da
redenção, aperfeiçoadas.
O
que trouxe de novo o Espírito em Pentecostes?
Diante da frase acima
citada – enche com a graça... – podemos dizer ao Espírito: Tu, que és o princípio da nossa criação, sê também o artífice da nossa
santificação. Para nos santificarmos é necessário a graça, por isso dizemos
que: A graça não destrói com efeito a
natureza, mas a “supõe” e constrói em cima dela. Isto inclusive depois do
pecado, pois este deixou a natureza “ferida”, mas não totalmente corrompida. A
nova criação é uma restauração, uma renovação, uma elevação.
O Espírito Santo “enche de
graça divina” os corações que Ele mesmo, não outra pessoa, criou.
Que novo é esse que Ele
trás: Trouxe toda novidade trazendo-se a
si mesmo. Aquele que antes vinha de maneira parcial aos profetas, agora, em
Cristo, reside de modo estável e pessoal entre nós.
Enquanto o Verbo não
estava em nosso meio, o Espírito tão pouco poderia estar; antes que o Espírito
descesse e permanecesse em Jesus (cf. Jo 1,33), não poderia descer e permanecer
em nós. Podemos assim afirmar que: antes
de Pentecostes o Espírito estava presente no mundo com o seu poder e os seus
dons, enquanto a partir de Pentecostes Ele está presente hipostaticamente com a
própria Pessoa.
O
Batismo do Espírito
O chamado “Batismo no
Espírito”, é a graça própria de todo este imenso despertar espiritual. Trata-se
de um rito feito de gestos de grande “simplicidade”,
acompanhados de atitudes de “humildade”,
“arrependimento”, disponibilidade” a tornar-se de novo criança para entrar
no Reino.
É uma renovação e
atualização de toda a iniciação cristã, não somente do Batismo. O interessado
se prepara para esse encontro, tomando parte em encontros de catequese, nos
quais se põe de novo em contato vivo e alegre com as principais verdades e
realidades da fé cristã:
·
O amor de Deus
·
O pecado
·
A salvação
·
A nova vida
·
A transformação em Cristo
·
Os carismas
·
Os frutos do Espírito
O efeito mais comum desta
graça é que o Espírito Santo, de simples objeto de fé intelectual, mais ou
menos abstrato, se torna um fato de experiência. E toda essa ação realiza em
nós:
·
Unção na oração
·
Poder no ministério apostólico
·
Consolação nas provações
·
Luz nas opções de vida...
O Espírito Santo é
percebido como Espírito que transforma interiormente a pessoa, dá o gosto do
louvor de Deus, faz descobrir uma alegria nova, abre a mente à compreensão das
Escrituras e, sobretudo ensina a proclamar “Jesus é o Senhor”. Ou dá a coragem
para se assumir compromissos novos e difíceis, a serviço de Deus e do próximo.
Há uma nova missão do
Espírito Santo, e portanto uma nova vinda sua, sempre que, na vida espiritual
ou no próprio ministério, alguém se encontra diante de uma nova necessidade ou
de novo encargo a exercer, que exijam um novo nível de graça.
Vem,
visita, enche!
O que é necessário para
que possamos fazer, nós também, esta experiência pentecostal?
Em primeiro lugar – pedir com insistência o Espírito Santo ao Pai, em
nome de Jesus;
Em segundo lugar – aguardar que o Pai responda! Precisa-se ter uma fé
que seja plena de expectativa.
Diz São Boaventura: Vem onde é amado, onde é convidado, onde é
esperado.
Na oração é preciso ser
também “unânimes e perseverantes”,
como os apóstolos com Maria no Cenáculo, unindo-se sempre que possível, a
outras pessoas que já fizeram a experiência de um novo Pentecostes e que nos
podem ajudar a nos predispormos e a vencermos todo o temor.
Devemos estar prontos a
que alguma coisa mude em nossa própria vida.
Não se pode convidar o Espírito
Santo a vir, a encher-nos, contanto que Ele deixe tudo como antes. “Aquilo que o Espírito toca, o Espírito
muda”. Quem gritar: “Vem, visita, enche!”, por esse mesmo fato se entrega
ao Espírito, entrega-lhe as rédeas da própria vida ou as chaves da própria
casa.
Não podemos repetir: “Vem,
visita, enche!”, deixando ao mesmo tempo que uma vozinha secreta – a da carne –
acrescente baixinho: “Mas, por favor,
nada de coisas estranhas, nada de exageros!” Os apóstolos não tivera medo
de ser confundidos com gente bêbada.
Se o poder do Espírito provoca em nós risos, choro ou reações descompostas de outro tipo no corpo, não é o Espírito, que provoca diretamente estas manifestações; é a “carne” que, às vezes, não está preparada para o impacto e reage como faria a água fria em contacto com um ferro em brasa.
Que o Espírito Santo possa derramar muitas bençãos em sua vida.
Marcos Ágape
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