Este texto foi de uma pregação que realizei numa vigília da JMJ de Salvador-Ba, no dia 14/12/2012.
São "Quatro" motivos que O Verbo se encarnou, e neste Natal devemos justamente procurar viver, experimentar esses quatros pontos. Espero que possa ajudar em sua caminhada de amor a Jesus Cristo.
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1º
O Logos se encarnou para “salvar-nos reconciliando-nos com Deus”
·
Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho
como vítima de expiação pelos nossos pecados – 1Jo 4,10
·
O Pai enviou seu Filho como o Salvador do
mundo – 1Jo 4,14
·
Este apareceu para tirar os pecados – 1Jo
3,5
·
Palavras de São Gregório: “Doente, nossa natureza precisava ser
curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a
posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era
preciso trazer à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um
socorro; escravos, um libertador. Essas razões eram sem importância? Não eram
tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até à nossa natureza
humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão
miserável e tão infeliz?
Explicação:
O homem em relação a Deus é ofensor, devedor, culpado.
Como por si mesmo não pode reconciliar-se, compete a
Deus reconciliá-lo consigo; ele o faz por meio de Cristo, que carrega as culpas
dos outros (Is 53) para que lhes sejam perdoadas. Só assim o homem perdoado
volta a ser inocente. A reconciliação é radical, equivale a uma nova “criação”
– Ó Deus, cria em mim um coração puro,
renova um espírito firme no meu peito (Sl 51,12).
Ela é oferecida e comunicada pela mensagem apostólica,
“ministério da reconciliação”. O homem simplesmente “se deixa” reconciliar,
responde à oferta removendo obstáculos e aceitando.
Deus realiza a
reconciliação não apontando ou não imputando os delitos – Feliz aquele cuja ofensa é absolvida, cujo pecado é coberto. Feliz o
homem a quem Iahweh não atribui iniquidade, e em cujo espírito não há fraude (Sl
32,1-2).2º O Logos se encarnou para que assim conhecêssemos o “amor de Deus”
·
Nisto se manifestou no amor de Deus por
nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele – 1Jo 4,9
·
Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu
Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida
Eterna – Jo 3,16
·
Deus é amor, repete São João (1Jo 4,8.16).
O próprio ser de Deus é amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, seu Filho
Único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo: Ele mesmo é
eternamente intercâmbio de amor – Pai, Filho e Espírito Santo – , e
destinou-nos a participar dessa permutação.
Explicação:
O ponto principal da
Bíblia é o Amor de Deus.
O amor de Deus é uma
realidade única. Esse amor se revelou a nós concretamente numa sucessão de gestos,
de manifestações que nós chamamos “história de salvação”. Nós podemos
reconstruir como se processou o amor de Deus por nós.
1ª
Etapa: nos transporta para “antes do tempo e da história, na mesma eternidade de Deus”.
A Palavra diz: Deus é amor (1Jo 4,8).
É o amor em si mesmo, antes de a criatura tomar consciência disso. Deus só tem
que amar a si mesmo. Deus, embora sendo único, não é solitário. Tem consigo,
seu Filho, sua imagem perfeita que ama e por quem é amado com um amor tão forte
que chega a constituir uma terceira pessoa, o Espírito Santo. Esse amor que não
é criado.
Mas nós, não estávamos
ausentes, estávamos já contidos e contemplados em seu coração como criaturas
ainda ocultas no seio e no pensamento de quem as gerou, e se espera que venham
à luz.
2ª
Etapa: “é a criação”,
que é a revelação deste amor oculto. É um gesto fundamental do amor de Deus
pelas criaturas, aquele que lhe confere o ser e as faz existir. Podemos
compará-lo ao amor de duas criaturas no ato que geram uma nova vida.
A criação é um ato de
amor. Deus cria para derramar seu amor sobre todas as criaturas porque o bem,
tem necessidade de se expandir, de se manifestar. Não bastava a Deus amar a si
mesmo; queria amar e ser amado por alguém que estivesse fora de si e para o
qual o amor tomasse uma nova modalidade: ser livre e gratuito.
Deus deu a alguns homens
(Isaías, Jeremias, Oseias) um coração grande, cheio de capacidades, sensível a
toda espécie de amor, para que revelassem aos homens algo de seu insondável
amor. É um amor eterno, indefectível (Jr 31,3 – que não falha, que não se
destrói, imperecível). É um amor que “comove as entranhas”(Jr 31,20). É um amor
ciumento que não tolera rivais (cf. Dt 4,24).
O que difere o nosso amor
do de Deus é que ele é gratuito.
Já que todo amor humano, é na realidade, egoístico e tem um aspecto de procura
de si mesmo. O homem, realiza-se amando, encontra no amor sua felicidade; Deus,
amando, não se realiza, mas realiza.
3ª
Etapa: “abrange todas
as anteriores”. Essa terceira etapa do amor, chama-se
“Jesus Cristo”. Jesus é o amor de Deus feito carne: ele é a manifestação
tangível do amor do Pai – Nisto se
manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho
único, para que vivamos por ele 1Jo 4,9.
Jesus nos amou com um amor
divino e humano, porque era Deus e homem – Como
o Pai me ama, assim também eu vos amo (Jo 15,9); vós sois meus amigos (Jo
15,14); conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento (Ef
3,19).
Em Jesus, o amor de Deus
se adequou à nossa condição humana, que tem necessidade de ver, de sentir,
de tocar, de dialogar. Diante disso vamos descobrindo como Deus
ama! O amor de Jesus pelos homens é forte, viril, terno, constante,
até a prova suprema da vida – Porque
ninguém tem amor maior do que quem dá a vida pela pessoa amada (Jo 5,13).
Jesus com o seu amor, muda, faz renascer, liberta.
4ª
Etapa: “do amor de
Deus, que se estende até os dias de hoje, chama-se Espírito Santo”.
O amor de Deus que se manifestou em Cristo Jesus permanece entre os homens e
vivifica a Igreja através do Espírito Santo.
Mas, afinal o que é, o
Espírito Santo? É o amor recíproco entre Pai e Filho que, depois da
ressurreição, se difundiu sobre os crentes, como perfume que jorra do vaso de
alabasto quebrado e enche a casa – o amor
de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm
5,5); nisso é que conhecemos que estamos
nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito (1Jo 4,13).
Sem o dom do Espírito
Santo, a “grande prova de amor” de Deus que foi Jesus Cristo teria ficado uma
lembrança histórica sempre mais apagada, com o passar dos séculos. Ele faz
daquele amor uma realidade atual, de hoje, de sempre.
O Espírito de amor, é
chamado também “coração novo”, o “coração de carne”, porque sua presença nos
torna não só amados, mas também capazes de amar – amar de modo novo a Deus e
aos irmãos. Ele é agora aquele que realiza a impossível fidelidade do homem;
tendo-o presente, com efeito, o crente pode observar os mandamentos, pode “corresponder”
ao amor de Deus, o que não era possível antes de Cristo.
3º
O Logos se encarnou para ser “nosso modelo de santidade”
·
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de
mim... – Mt 11,29
·
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida;
ninguém vem ao Pai a não ser por mim – Jo 14,6
·
E o Pai, no monte da Transfiguração,
ordena: Ouvi-o – Mc 9,7
·
Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças e
a norma da Nova Lei: Amai-vos uns aos
outros como eu vos amei – Jo 15,12
·
Esse amor implica a oferta efetiva de si
mesmo no seu seguimento
Explicação:
Mt
11,29 – O “Jugo”. Não só os animais, também os homens
carregam o jugo como sinal e exercício de escravidão. Era um jugo curvo de
madeira, apoiado com almofadas sobre os ombros, que servia para transportar
cargas equilibradas. Esse jugo pode ser: à lei, à tirania estrangeira
e também à sabedoria.
A escravidão no Egito se
definia pelas “cargas” (Ex 6,6). O jugo que Jesus impõe, aceito com amor e
levado com sua ajuda, é leve, particularmente se comparado com as cargas dos
fariseus (Mt 23,4).
Jesus reivindica uma
atitude religiosa, para arrogar sobre si a autoridade para ser o nosso mestre
de sabedoria (Mt 11,29).
Jo 14,16 – Jesus não é guia, mas caminho; como é escada
até o céu (1,51), como é porta de entrada (10,7). Por ele vem a verdade da
revelação e a vida que é seu resultado; por ele transitamos rumo ao Pai. É um
caminho autêntico (verdadeiro) e vital, é verdade e vida em caminho.
4º
O Logos se encarnou para “tornar-nos participantes da natureza divina”
2Pd 1,4
A participação na vida
divina corresponde à filiação.
De escravos feitos livres
pela adoção (Gl 4,5-7), portanto livres, co-herdeiros, com direito à
imortalidade; chamamos Deus de Abba e somos realmente filhos de Deus (1Jo
3,1-3), irmãos de Jesus primogênito e participantes da natureza divina (2Pd
1,4); nascidos pela fé (Jo 1,12-13) e pelo batismo (Gl 3,26-27).
Por ela o homem consegue
superar a “corrupção” ou mortalidade, que pela “concupiscência” domina o mundo.
Obs.: Aguardo o seu comentário...
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