I – Origem da Experiência
Era uma expressão bastante utilizada no judaísmo. Era o
reinado de Deus sobre Israel no tempo presente e no final dos tempos. Deus será
o Rei justo, capaz de proteger os pobres e os marginalizados.
II – Centro e resumo das atividades
de Jesus
Era o centro de toda a sua vida: Mc 1,15; Mt 4,23; Lc 4,43;
8,1
O que ele anuncia é a grande novidade da chegada desse Reino:
ele vem já. Agora!
III – Em que consiste?
Existem duas referências sobre o Reino:
a) As Bem-aventuranças: Lc 6,20-23; Mt
5,3-12
Implica no mundo novo:
·
Em
que o mal e o sofrimento são vencidos;
·
Onde
prevalecem a justiça, a fraternidade e a paz;
b) O Pai-nosso: Mt 6,9-15; Lc 11,24
·
Jesus
ensina pedindo a vinda do Reino;
·
Para
Ele o que importava era que Deus fosse aceito como Deus;
·
Os
discípulos viverem uma relação de intimidade com Deus.
IV – É dom gratuito de Deus
Tanto as bem-aventuranças como o pai-nosso, é claro que o
Reino de Deus é um dom do amor do próprio Deus. Ele vem pela ação e pela
iniciativa de Deus. Não existe esforço humano capaz de conquistá-lo ou de
comprá-lo. A cada um de nós, só cabe acolher com alegria e gratidão.
O Reino é obra de Deus e só este pode oferecê-lo ao ser
humano: Lc 12,32; 22,29-30; Mt 25,34; Mc 25,34; Mc 4,26-29.
Atitudes fundamentais:
- Na abertura
- Na receptividade
- No acolhimento
Para receber é preciso:
- Reconhecer a própria incapacidade e auto salvar-se;
- Experimentar a necessidade da libertação.
V – Os destinatários
a)
Os pobres: Lc 6,20; 4,18; Mt 11,4-5
Para Lucas não é consideração de
valor. Mas, a situação objetiva de “marginalização” e de “injustiça”. O Deus
que defende eles. Lucas quer dizer que esses são convidados a entrar.
O pobre é convidado a participar do
Reino não porque seja melhor, mas hospitaleiro ou mais solidário do que o rico.
Mas, pela situação miserável e injusta em que a pessoa do pobre se encontra que
faz com que o Deus do Reino intervenha em seu favor.
b)
As crianças e os pequenos: Mc
10,13-16; Mt 11,25-26
Porque no tempo de Jesus as crianças
eram marginalizadas e desvalorizadas. Somente o homem adulto era importante
social e religiosamente. Ser como criança é receber algo do adulto sem pensar
que se trata de uma obrigação de uma exigência ou de um merecimento.
É importante também lembrar que nas
crianças existe uma tendência para a “dominação”, para “aproveitar-se” dos
outros.
Vemos normalmente a criança
merecedora por algumas qualidades: ingenuidade, pureza e confiança.
Agora imagine se Jesus fosse exigir
de nós pureza e ingenuidade para participar do Reino de Deus?
Os pequenos:
São homens e mulheres do povo, que
não têm títulos honoríficos para apresentar a Deus, nem posição social, nem
estudos especiais, nem poder de qualquer outro tipo.
c)
Os pecadores: Mt 21,31; Mt 9,12-13
Na época de Jesus, o termo designava,
não só as pessoas de má conduta, mas também aquelas que exerciam profissões
desprezíveis, consideradas “impuras” do ponto de vista da lei judaica.
A isso também, tem haver onde alguns
judeus da seita dos fariseus se consideravam “puros”, “justos”, desprezando os
outros. O não cumprimento das obrigações da lei.
VI – Resultado da ação: conversão e
fé
O Reino é dom, mas é um dom pessoal, que suscita uma resposta
do ser humano. O Reino é a Boa Nova. Que nos convida e capacita para uma vivência
da “conversão”, que nada mais é que:
- Arrependimento do mal realizado;
- Ou reorientação da vida em conformidade a vontade de Deus.
É preciso ter fé nesse Deus da vida, que em situações atuais
que mesmo quando muito negativas, não são a ultima possibilidade desse Deus.
Colocar a fé-confiança no Deus do Reino, faz parte do processo de conversão e
deve ser acompanhado do seguimento. A fé-confiança é indispensável para todo
aquele que aceita o dom do Reino de Deus.
O que consiste ser discípulo de Jesus?
O discípulos é chamado a fazer a mesma coisa do Mestre:
anunciar o Deus do Reino e curar os doentes. A resposta ao dom de Deus é vivida
na “conversão” na “fé” que acolhe a Boa Nova do Reino e no seguimento, como
discípulo, do caminho percorrido pelo próprio Jesus.
VII – O Reino é futuro e presente
Frequentemente Jesus apresenta o Reino no futuro, no final
dos tempos: Mc 9,1; Lc 13,28. Mas também Ele apresenta como novidades já, agora
hoje, nesta nossa história! Cf. Mt 12,28; Lc 4,18-21; Mt 21,31; Lc 17,20-21.
Existe uma intima relação entre a atuação do Reino de Deus
hoje, no presente, e o Reino na plenitude futura.
VIII – Como atua hoje o Reino de Deus
Não temos uma plena clareza do que é ou será este Reino, nem
podemos imaginar, já que ás promessas de Deus vai além das nossas expectativas.
É muito importante sabermos como atua hoje o Reino de Deus.
Como age em nossa vida e na história. Somos convidados a responder à
interpelação do Reino de Deus.
É o próprio Jesus que vai nos mostrar como se realiza atualmente
a atuação do Reino. Ele utilizou as parábolas.
A.
O Semeador: Mt 13,4-8; 18-23
A grande mensagem do semeador é que;
semeando hoje em terra apropriada haverá colheita;
Precisamos entender que hoje é tempo
de semear, não chegou a hora de colher. Devemos colaborar com Jesus, lançando a
semente do Reino. Não podemos de maneira alguma confundir o tempo de semear com
o de colher.
B.
O Joio, e da Rede: Mt 13,24-30;
36-43; 13,47-50
O Reino já está chegando na medida em
que a boa semente é semeada e a rede lançada.
Há aqui uma grande ambiguidade, entre
a boa semente e o joio, e a colheita só acontecerá no final.
Existe assim uma grande ambiguidade
no mundo. Não existe comunidade perfeito nem pessoas perfeito.
Os santos foram os que mais tinham
consciência de sua imperfeição da presença do “velho” em sua própria vida.
A constatação de nossa ambiguidade
radical não deve ser compreendida como um convite à passividade ou a
resignação.
O desafio dirigido a cada um de nós
consiste em apostar no novo, colocando a energia a serviço do crescimento da
sementinha do Reino, mas cuidando, simultaneamente, para que o joio, o velho,
atrapalhe o mínimo possível.
Podemos afirmar que é próprio da pessoa
amadurecida saber assumir a ambiguidade da própria existência e da existência
dos outros.
C.
Grão de Mostarda e do Fermento: Mt
13,31-33
A atuação e a chegada do Reino é
acompanhada por:
·
Discrição;
·
Ocultação;
·
O
fracasso, sofrimento.
Tudo isso faz parte do trabalho de
evangelização desenvolvida pelas comunidades e por cada cristão.
D.
Tesouro e da Pérola: Mt 13,44-46
Que o Pai faça brilhar o valor do
Reino, para optar por ele é preciso perceber algo do seu brilho, da sua
importância.
Meditação-reflexão sobre o Reino de
Deus só tem sentido fecundo num clima de oração ao Pai. Mas, juntamente
colocado também o seguimento de Jesus.
Oração e seguimento a Jesus ajuda a
clarear a significação e o valor do Reino de Deus.
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Formação dada no Círculo Bíblico da Comunidade Paroquial da Santíssima Trindade, Paróquia de São Brás de Plataforma-Salvador-Bahia. Em Agosto de 2014.
Marcos Ágape.
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