Texto: Mt 16,13-20
Jesus faz uma interrogação para dois públicos diferentes:
para o povo que esta fora do rebanho e para os que estão dentro.
No dizer do povo quem é o Filho do Homem? Quem diz que
eu seja?
Esta primeira interrogação é para o povo, os homens,
aqueles que estão de fora, aqueles que ouvem falar de Jesus, mas não aderem a
ele. Ele necessita saber o que pensam dele os homens?
Existem três maneiras que hoje descrevem Jesus:
1 – Apenas “um homem”, tão somente um homem. É a
humanização total de Cristo. Muitas pessoas continuam a perguntar: “Mas quem és
tu, Jesus? És realmente aquilo que dizem que és? Tinhas previsto morrer desta
forma: houve um erro ou houve alguma outra coisa?”
2 – Outra forma é vê Jesus como um “profeta”. Mas, como
um político. Alguns marxistas que abandonaram os preconceitos anticristãos, ou,
simplesmente, homens comprometidos com um mundo mais justo. O Jesus que rompeu
os tabus e os medos, que deu uma consciência e uma voz aos marginalizados e
oprimidos, preparando assim, de longe, sua vitória e sua libertação. O Jesus mártir
político.
3 – Essa terceira visão é de muitos filósofos e teólogos.
Onde alguns dizem que Jesus era uma pessoa que realizou completamente todas as
possibilidades do homem e que pode, por isso, colocar-se como sentido e modelo
da existência humana; alguém em quem Deus se tornou presente de uma maneira
total e definitiva – ou seja, alguém que não é Deus, mas no qual há
Deus!
Mas, Jesus interroga também para nós que fazemos parte
do seu grupo, dos batizados, aqueles que assumiram em sua vida o compromisso de
levar a Boa Nova.
E
vós, quem dizeis que eu sou? Ele espera de nós uma
resposta diferente daquela do povo. Não interessa para Jesus saber o que a
cultura diz dele; quer a nossa resposta, de nós que cremos nele e que nele
colocamos nossa esperança.
Não pode ser uma resposta inventada, igual aquela que
Pedro deu: “Tu és o Cristo, o Filho de
Deus vivo.” Nesta há, “em germe”, toda a cristologia.
A nossa Igreja sempre repete a si mesma esta fé: Jesus não
é somente um homem, ou um profeta; é mais do que um profeta: é Deus conosco. Essa
é a resposta de fé a pergunta: Quem é Jesus?
As respostas do povo vêm da terra, da carne e do
sangue, a resposta de fé, vêm de cima do céu, do Pai das misericórdias.
É importante estarmos a cada momento alimentando a
nossa fé. Pois, aquela resposta de fé acaba morrendo se não é continuamente
renovada, revivida e, por assim dizer, transplantada de geração em geração, de
cultura e cultura que se sucedem no cenário do mundo.
É importante que a interrogação e as respostas, também
se viva em si mesma, que as interiorize e não seja repetida mecanicamente, como
uma poesia aprendida de cor.
Não podemos nos abrigar atrás de uma fé pela mediação
de uma pessoa, é a mim, como cristão, individualmente, à minha liberdade e à
minha fé que Jesus pede hoje: Tu, quem dizes que eu seja? A uma resposta dessas
não se pode responder repetindo somente o que diz “o povo” ou aquilo que diz “a
Igreja”.
Aqui, chegamos a um ponto importante na nossa reflexão,
inicia-se o testemunho, a colocação da nossa experiência. O que Jesus tem feito
em minha vida. E cada um colocando a sua experiência, a sua fé, construímos um
lindo edifício sempre novo, que é a fé fundamentada nos apóstolos e é
vivificado e unido pelo Espírito Santo.
Muito Ágape no seu coração.
Obs: meditação extraída do livro: O Verbo se faz carne.
Raniero Cantalamessa. Ed. Ave-Maria.
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